COVID-19: pode haver reinfecção?
A doença causada pelo novo coronavírus já afetou mais de 25 milhões de pessoas com mais de 800 mil mortes no mundo. A alta transmissibilidade do vírus por gotículas aéreas, contato pessoal e contato com objetos ou superfícies contaminadas mudaram o estilo de vida da população. No entanto, uma pergunta chave em relação à COVID-19 é: realmente pode ocorrer a reinfecção?
De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), os pacientes com a COVID-19 podem sair do isolamento após a recuperação sintomática completa, além de dois testes negativos consecutivos por RT-PCR para SARS-CoV-2 com um intervalo de 24 horas. Entretanto, o relato de um caso na China e outro em Boston, nos Estados Unidos, demonstraram pacientes que testaram positivo, mesmo após terem os sintomas resolvidos e os testes negativos. Nesse contexto, pesquisadores levantaram a hipótese se realmente é uma reinfecção ou uma reativação do vírus, ou seja, ele ainda estava no organismo e, por algum motivo, voltou a se manifestar.
Um recente estudo publicado na revista Clinical Infectious Diseases reportou o primeiro caso de reinfecção pela COVID-19 confirmado por análises de sequenciamento do genoma inteiro do vírus, e também apoiado por dados epidemiológicos, clínicos e sorológicos. Um homem de 33 anos de idade e residente em Hong Kong foi diagnosticado positivo para a COVID-19 pela primeira vez em 26 de março de 2020. Durante o primeiro episódio, ele apresentou sintomas de tosse e expectoração, dor de garganta, febre e dor de cabeça por 3 dias. Após o tratamento de todos os sintomas e dois testes negativos para o vírus por RT-PCR, coletados em um intervalo de 24 horas, o paciente recebeu alta em 14 de abril de 2020.
O segundo episódio assintomático de COVID-19 foi observado em uma triagem, no aeroporto de Hong Kong, em 15 de agosto de 2020. O paciente retornava de uma viagem a Espanha via Reino Unido e testou positivo para o SARS-CoV-2 por RT-PCR. Durante a segunda infecção, observou-se apenas uma evidência sorológica de aumento da proteína C-reativa e IgG contra o SARS-CoV-2. As análises do sequenciamento do genoma inteiro revelaram que o vírus da segunda infecção é completamente diferente geneticamente do vírus responsável pela infecção inicial.
A confirmação dessa reinfecção alertou os pesquisadores para algumas implicações importantes. Entre elas, ressalta-se que é improvável que a imunidade de rebanho possa eliminar o SARS-CoV-2, embora seja possível que as infecções subsequentes possam ser mais brandas do que a primeira. Portanto, o vírus SARS-CoV-2 continuará circulando na população como outros vírus respiratórios ou coronavírus já conhecidos por causarem resfriados. Além disso, vacinas provavelmente não serão capazes de fornecer proteção vitalícia contra a COVID-19 e, portanto, pessoas recuperadas da doença devem também ser incluídas nas campanhas de vacinação.





