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Summit Fealq reúne USP, Fapesp, Ministério Público e setor produtivo em debate sobre caminhos para ampliar impacto da ciência

Encontro pelos 50 anos da Fundação destacou papel da gestão, da colaboração e da integridade em um ambiente científico cada vez mais complexo

A ciência contemporânea depende cada vez menos de esforços isolados e cada vez mais de ecossistemas capazes de conectar pesquisa, financiamento, gestão, inovação e sociedade. Essa foi uma das principais convergências do Summit Fealq 50 anos – Propósito, Consistência e Integridade, realizado em 7 de agosto, em Piracicaba, pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq).

O encontro reuniu lideranças da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Ministério Público, do setor produtivo e especialistas em gestão da pesquisa para refletir sobre os desafios atuais e futuros da ciência, da inovação e da governança. A proposta já estava no centro da concepção do evento: aproximar diferentes perspectivas para discutir como transformar conhecimento em inovação, desenvolvimento e benefícios concretos para a sociedade.

A solenidade de abertura contou com o reitor da USP, professor Aluisio Segurado; o presidente do Conselho Superior da Fapesp, professor Marco Antonio Zago; a diretora da Esalq/USP, professora Thais Vieira; a secretária de Desenvolvimento Econômico de Piracicaba, Thaís Fornicola; o diretor-presidente da Fealq, professor José Baldin Pinheiro; o presidente do Conselho Curador da Fundação, Manoel Pereira de Queiroz; e Lucilene Maria de Sousa, diretora-presidente da Fundação de Apoio a Serviços e Projetos em Saúde, representando o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica.

Na abertura, o reitor da USP destacou que a Universidade precisa conciliar a força de sua história com a responsabilidade de olhar para o futuro e ressaltou o papel das fundações de apoio nesse ecossistema. “A Universidade de São Paulo tem uma responsabilidade imensa, que é honrar o seu legado de 91 anos e, ao mesmo tempo, mirar o futuro no cumprimento da nossa missão”, afirmou Segurado. Para o reitor, essa missão só se realiza “pela força do ecossistema constituído na USP, de ensino superior, de pesquisa e de inovação”, no qual as fundações de apoio têm papel relevante.

Segurado também reafirmou o compromisso institucional da Universidade com a Fealq. “Para além da gratidão, [trago] o compromisso da administração da Universidade de São Paulo de continuar trabalhando em parceria estratégica com a Fealq e com as demais fundações que estão ao nosso lado”, disse.

Já Marco Antonio Zago ressaltou a dimensão assumida hoje pela pesquisa e a necessidade de estruturas especializadas para dar suporte à sua execução. “As fundações tornaram-se um elemento essencial nesse ecossistema de ciência, tecnologia e inovação”, afirmou o presidente do Conselho Superior da Fapesp, ao destacar o papel desempenhado pela Fealq ao longo de sua trajetória.

Representando o município, Thaís Fornicola relacionou a atuação da Fundação ao desenvolvimento do ecossistema de inovação local. “O desenvolvimento econômico dos municípios que vão se diferenciar cada vez mais está focado nessa raiz, que é a conexão entre academia, pesquisa, governo e iniciativa privada”, afirmou.

A abertura foi marcada ainda por um minuto de silêncio em homenagem ao professor João Lúcio de Azevedo, falecido na véspera do encontro, aos 89 anos. Professor Emérito e ex-diretor da Esalq/USP, João Lúcio integrou o Conselho Curador da Fealq durante uma década, entre 1985 e 1995, e presidiu o colegiado entre 1987 e 1989.

Três dimensões para pensar o futuro da pesquisa

Estruturado em três painéis, o Summit percorreu dimensões complementares da atividade científica.

O painel Propósito discutiu a evolução da universidade, o papel das fundações de apoio e a necessidade de ampliar a conexão entre conhecimento, sociedade e setor produtivo. Entre os pontos debatidos estiveram a crescente participação do financiamento privado, a aproximação entre pesquisadores, empresas e investidores e o desafio de tornar mais visível o impacto social da ciência.

No painel Consistência, o foco esteve nas competências institucionais necessárias para transformar boas ideias em projetos bem executados. Gestão profissional, governança, gestão de riscos, articulação de parceiros, capacidade jurídico-contratual, proteção de dados, compras, importações, propriedade intelectual e avaliação de impacto apareceram como parte de uma cadeia cada vez mais sofisticada de apoio à pesquisa.

O terceiro painel, Integridade, aprofundou a discussão sobre governança, compliance, confiança e responsabilidade. A reflexão central foi a de que, diante da complexidade atual, não basta avaliar se um projeto foi realizado, mas também como foi realizado. Integridade passa, assim, a integrar a própria estratégia das instituições, influenciando sua capacidade de atrair parceiros, pesquisadores e investimentos.

Ao encerrar o encontro, o diretor-presidente da Fealq, José Baldin Pinheiro, relacionou os três conceitos aos 50 anos da Fundação e aos próximos ciclos institucionais. “Foi preciso propósito para saber por que existíamos. Foi preciso consistência para transformar esse propósito em trabalho, projetos, conhecimento e resultados ao longo de cinco décadas. Foi e continuará sendo necessária integridade para construir relações de confiança e fazer tudo isso com responsabilidade.”

A Fealq chega aos 50 anos tendo realizado a gestão de mais de 7.000 projetos, 360 obras publicadas por sua Editora. Mais em www.fealq.org.br

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